O POVO BAKONGOS
O povo bakongo é uma etnia que habita numa larga faixa ao longo da costa atlântica da África, desde o sul do gabão até às províncias do Zaire e do Uíge, passando pela república Democrática do congo (pelo enclave de cabinda). No ano de 1960 a população Bakongo compunha cerca de 13,5% dos angolanos; atualmente este grupo étnico está reduzido a 8,5%, resultado da aculturação e dos deslocamentos provocados pela guerra e pela fome. Porém, ainda é o terceiro maior grupo étnico de Angola.
Ainda sobre os bakongos e a cultulinguística, é importante apontar que os habitantes do antigo Reino do Kongo são chamados de bakongo e pertencem ao povo bantu. Na verdade, o nome do povo é kongo. O ba é prefixo nominal da classe 2 que marca o plural e o prefixo singular é mu. Portanto, bakongo significa "povos kongo".
Um povo cuja cultura e tradições atualmente vêm se degradando devido ao fenômeno da aculturação. Segundo Kanda (apud DODÃO, 2017, p. 06) o Reino do Kongo, composto atualmente por 489 mil habitantes, está espalhada pelas seis províncias da região norte, distribuídos em 10 grupos: "Basikongo, Bandongo, Pombo, Nsoso, Suku, Yaka, Zombo, Hungu, Bayombe e Woyo". A maior parte da população do grupo bakongo localiza-se na província de Uíge.
TRADIÇÕES E PRÁTICA DA CULTURA BAKONGO
Os povos bakongos têm tradições e práticas tradicionais próprias. Essas práticas fazem com que opovo seja único. A desintegração do povo é ao mesmo tempo o desaparecimento de práticas tradicionais. A guerra entre o partido MPLA e o partido UNITA, que durou mais de vinte anos, provocou o deslocamento de populações das suas regiões de origem para as grandes cidades, em busca de proteção do Estado. Esse deslocamento originou a perda de vários traços culturais porque o ambiente da cidade é muito heterogêneo misturando diferentes povos no mesmo espaço. A maioria das famílias que fugiram da guerra, da área rural para urbana, não voltaram mesmo depois do fim da guerra. Esses cidadãos adaptaram-se à nova vida da cidade e passaram a falar a língua portuguesa, que é a língua da elite, protegida pela constituição da República e pelo poder político. Esses cidadãos da área rural não ensinam mais as línguas africanas aos seus filhos, atitude que fará com que a próxima geração de angolanos não as conheçam.
A situação piora ainda quando essas línguas africanas não são ensinadas nas escolas e não são valorizadas pela Constituição da República; a consequência de tudo isso é o perigo de extinção. Os poucos bakongos que residem nas áreas rurais preservam as suas práticas culturais, apesar do processo de aculturação ter entrado de forma agressiva pela televisão e pela internet. Os traços característicos dos bakongos são visíveis em algumas práticas da cultura brasileira. Alguns curiosos, por exemplo, questionam se a capoeira é de Angola. A resposta é clara: a capoeira é uma prática cultural brasileira com traços de tradições africanas. A mesma resposta serviria para o samba e o candomblé. Ambas são práticas tradicionais formados a partir da construção de um novo povo vindo de quatro continentes para o Brasil: África, Europa, Ásia e Américas.

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