quarta-feira, 19 de junho de 2024

                                   A CERIMÔNIA DA CIRCUNCISÃO DO POVO TCHOKWE

A cerimônia da circuncisão acontece na aldeia mesmo e os meninos que passam por esse processo precisam ter entre 10 e 14 anos, pois é a idade quando eles encerram o ciclo infantil e vão pra maioridade, puberdade. A partir do momento que decidem o dia da cirurgia, acontece toda uma mudança na rotina dos meninos para que eles possam ir para a MUKANDA (circuncisão). O pré-operatório é marcado por dias bastante ocupados em razão da preparação que é extremamente cuidadosa. Nesses dias, eles aprendem com os mais experientes da aldeia as canções, danças tradicionais, trabalhos artesanais Tchokwe; há mais ensinamentos que eles são orientados e que servem de aprendizado para toda a vida. E não são somente os meninos envolvidos que recebem preparações antes da circuncisão, seus pais também 

participam de rituais pré-estabelecidos pela aldeia. Portanto, toda a família é envolvida. Na véspera da cirurgia, os meninos são proibidos de realizar quaisquer atividades que possam lesionar seus corpos. Eles não podem entrar na MUKANDA (circuncisão) com nenhum tipo de ferimento.

O Grande dia.


Ao amanhecer, o chefe da aldeia acompanha os familiares e operadores ao local da cirurgia. Eles rezam aos espíritos pedindo proteção para afastar qualquer mal, qualquer doença e que tudo fique bem. Esse momento da reza é definidos como um agradecimento na língua deles e que é chamado de KUSAKWIA. Os gestos para esse ritual é tocar a terra com a ponta dos dedos e batem palmas falando “NGA BYU”; é uma frase de ação de graça. Após o ritual de abertura para a cirurgia, cada menino segue para o lugar destinado a eles para a operação. Para dar início à operação mesmo, o chefe da aldeia entoa canções seguidos por todos presentes. Então, ele diz: “MUSASWE, MUSASWE!”; o coro responde: “WOHO! MUSASWE.”

Como é exatamente a cirurgia

 

Com o professor que acompanhou os meninos durante a preparação desse dia, eles se sentam no chão capinado em círculo, as pernas devem ficar abertas. Os professores seguram os ombros dos meninos e a cabeça deles devem ficar virada para o lado para não verem os operadores fazerem o corte, que, aliás, é feito sem anestesia e assepsia. Mas é válido lembrar que existem procedimentos adequados para que não cause infecção, afinal isso é tradição para eles. Pode ser que hoje já possam fazer a cirurgia no hospital. Não sabemos se tem o mesmo valor que tem fazer da maneira original. Na imagem abaixo, vocês podem ter uma ideia da posição que os meninos precisam estar para a realização da cirurgia.

Momento da circuncisão

 

A cirurgia é finalizada após o processo de estancamento do sangue. Os professores acompanham os meninos durante toda a fase de cicatrização do corte. Além disso, por mais alguns dias fazem o ritual de adoração ao sol. Além das máscaras já apresentadas, vocês podem ver a seguir mais algumas usadas pelos Tchokwe. Abaixo estão as máscaras chamadas CIKUNGU e CIHONGO, que evocam as imagens da mitologia Lunda-Tchokwe. Nessa tradição, há a princesa Lweji e o príncipe da civilização Tschibinda-Ilunga, que são considerados os personagens principais.

 

 

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NÚMEROS: ATENDELO 1- Mosi (Mossi) 2- Vali 3- Tatu 4- Kwãla 5- Tãlo 6- Epandu 7- Epandu Vali. 8- Ecelãla (Etchelãla). 9- Eceya (Etcheya). 10-...